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Quais são as síndromes hipertensivas na gestação e como proceder em cada caso?

Quais são síndromes hipertensivas da gestação?

A hipertensão gestacional é uma das principais causas de mortalidade materna e perinatal no mundo. O desafio maior no consultório é orientar a gestante quanto a diferenciar a hipertensão que antecede a gravidez desta que é específica. Cada uma vai exigir cuidados diferentes pela equipe do obstetra que acompanha a paciente.

Durante a sua formação, o médico aprende quais são as síndromes hipertensivas na gestação e diversos procedimentos que podem ser adotados para preservar a saúde da mãe e do bebê. Contudo, como tudo na medicina está em constante evolução, o profissional deve sempre buscar novos conhecimentos e atualizações que possam aliviar o problema.

Dentre as síndromes hipertensivas gestacionais, a pré-eclâmpsia se mostra como a que requer especial atenção. Isso se deve ao fato de ela surgir de forma isolada ou associada à hipertensão arterial crônica. Contudo, há formas distintas de classificá-las e é sobre isso que trataremos neste artigo!

Este é um conteúdo especial criado pelo Centro de Desenvolvimento em Medicina (CDM), uma escola que oferece os melhores treinamentos e atualizações para profissionais da área da saúde. Boa leitura!

O que é hipertensão gestacional?

Presente na CID 11, da Organização Mundial da Saúde sob o código O14, a síndrome hipertensiva gestacional é classificada como um conjunto de complicações específicas da gravidez. Inicialmente, ela se apresenta como pressão arterial elevada que, posteriormente, evolui para as situações mais graves.

Trata-se de problema grave, que é responsável por 35% da mortalidade materna no país, segundo dados do Ministério da Saúde

Entre as complicações ocasionadas pelas síndromes hipertensivas na gestação, tanto para a mãe quanto para o feto, estão:

  • Hemólise e coagulopatia;
  • Hemorragias de retina, edemas e cegueira;
  • Insuficiências renal e hepática;
  • AVC;
  • Retirada do útero;
  • Edema de pulmão;
  • Hemorragia;
  • Descolamento de placenta;
  • Prematuridade.

Ainda que a hipertensão esteja entre as complicações que mais surgem durante a gravidez, o problema precisa ser neutralizado, pois a sua gravidade é comprovada na alta taxa de mortalidade. Por isso, é importante haver acompanhamento multidisciplinar durante o pré-natal, além do suporte avançado para mãe e recém-nascido nos casos mais graves.

O que causa as síndromes hipertensivas na gestação?

As causas variam de acordo com diversos aspectos, mas a hipertensão gestacional está muito associada ao crescimento dos vasos sanguíneos, predisposição genética, implantação fora da normalidade da placenta e fatores imunológicos, além do estresse oxidativo e lesão do endotélio vascular.

Também há fatores de risco para o desenvolvimento das síndromes hipertensivas na gestação, como diabetes preexistente, gestação múltipla, mulheres que nunca engravidaram, além de antecedentes familiares de primeiro grau de pré-eclâmpsia.

Saiba quais são as síndromes hipertensivas gestacionais

A gravidade e efeitos da hipertensão variam entre si, assim como as próprias complicações. A classificação das síndrome hipertensiva gestacional se divide entre:

  • Hipertensão Gestacional (HG);
  • Hipertensão Crônica (HC);
  • Pré-Eclâmpsia (PE);
  • Pré-Eclâmpsia Sobreposta à Hipertensão Crônica (PSHC);
  • Síndrome HELLP;
  • Eclâmpsia. 

Hipertensão Gestacional

Este problema costuma surgir após 20 semanas de gravidez e apresenta quadros de hipertensão arterial transitória, sem proteinúria patológica. Normalmente, os níveis tensionais retornam ao normal no período de seis a 12 semanas após o parto.

Hipertensão Crônica

Quando há hipertensão arterial prévia à gestação, sem lesão de outro órgão-alvo ou proteinúria patológica, diz-se hipertensão arterial sistêmica crônica não complicada.

Se, por outro lado, há lesão de órgão-alvo ou proteinúria patológica, o quadro é de hipertensão arterial sistêmica crônica complicada.

De qualquer forma, nestas situações de síndromes hipertensivas na gestação, a paciente apresenta pressão arterial acima de 140/90 mmHg em duas verificações dentro de um intervalo de quatro horas: antes ou nas 20 semanas iniciais da gravidez, e persistindo depois da 12ª semana do parto.

Pré-eclâmpsia 

Aqui, também há diferentes quadros referentes à pré-eclâmpsia, todos ocorridos após 20 semanas de gestação. Na leve, há proteinúria em níveis patológicos e ausência dos critérios de gravidade.

Na pré-eclâmpsia, há proteinúria em níveis patológicos, com a presença de algum critério e gravidade, a saber: 

  • Proteína na urina em 24 > 300mg;
  • Plaquetas < 100.000;
  • Creatinina sérica > 1,1 ou dobro da linha de base de creatinina sérica;
  • Edema no pulmão;
  • Nível de transaminases aumentado em duas vezes;
  • Edema no cérebro;
  • Sintomas visuais.

Pré-Eclâmpsia Sobreposta à Hipertensão Crônica

Pré-eclâmpsia em paciente previamente hipertensa costuma representar um quadro grave que pode ser classificado como Hipertensão Arterial Sistêmica complicada crônica.

Síndrome HELLP

A Síndrome Hellp é uma forma grave de pré-eclâmpsia com manifestações clínicas e alterações laboratoriais específicas. Um dos principais desafios relacionados ao quadro é que o problema pode ser clinicamente silencioso, ao menos, no início.

Eclâmpsia

A eclâmpsia é um quadro grave caracterizado por convulsões tônico-clônicas, ou seja, perda da consciência e contrações dos músculos muito fortes. Assim como muitas das síndromes hipertensivas na gestação, ela pode surgir após a 20ª semana da gravidez.

Orientações para a paciente

Ainda que não haja formas de prevenir as síndromes hipertensivas na gestação, a paciente deve ser orientada quanto aos fatores de risco, caso haja. Aquelas que não apresentaram comprometimento de saúde e não há maturidade fetal para o parto, algumas medidas devem ser tomadas para mitigar o impacto da doença.

  • Administração do sulfato de magnésio para prevenir ou tratar convulsões;
  • Corticoide para maturidade pulmonar;
  • Uso de hipertensivos para controle de pressão;
  • Reduzir o estresse e repouso absoluto.

Contudo, alerte a gestante para que não faça automedicação, pois pode colocar a sua vida e a do bebê em risco.

Faz-se necessária a orientação devida à paciente, desde o início da gestação, sobre os tipos de síndromes hipertensivas e como proceder em cada caso. Para isso, é indispensável o acompanhamento pré-natal, dieta nutricional adequada e, nas ocorrências, a intervenção rápida no intuito de impedir evolução para casos graves.

Use as informações presente neste artigo como guia de apoio para buscar estudos mais avançados para cada uma das síndromes hipertensivas na gestação, além de consultar frequentemente os relatórios da OMS que reúne testes e outros dados validados por profissionais da saúde de todo o planeta.

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