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Quais doenças o exame FAN detecta e quando solicitar ao paciente?

Quais doenças o exame fan detecta

Na Medicina, os diagnósticos se baseiam, além da história clínica, em exames físicos, clínicos e laboratoriais. Para as doenças autoimunes, é aplicada uma avaliação que rastreia a presença de anticorpos, além de outras informações importantes.

Um destes estudos é o exame Fan. Além de atuar no rastreio dos anticorpos, ele aponta o nível de concentração deles e o padrão morfológico.

O exame é baseado no padrão de fluorescência dos anticorpos e deve ser solicitado pelo profissional reumatologista. Contudo, alguns pontos importantes devem ser esclarecidos.

Um deles é que nem sempre o resultado positivo aponta que o paciente tem uma doença autoimune. Isso se relaciona ao aumento da sensibilidade decorrente das melhorias técnicas para realização do teste.

Este artigo vai revelar quais doenças o exame FAN detecta e algumas dicas de quando pedi-lo ao paciente. O conteúdo foi elaborado pela redação do Centro de Desenvolvimento em Medicina (CDM), uma nova marca de cursos e treinamentos para médicos. Seja bem-vindo ao nosso blog!

O que é o exame FAN?

Antes de detalhar quais doenças o exame FAN detecta, é primordial saber mais sobre este tipo de avaliação.

Quando a pessoa possui uma doença autoimune, o organismo produz anticorpos contra células, proteínas e tecidos do próprio corpo, pois entende que estes são agressores.

O FAN, fator anti-nuclear, é um dos anticorpos produzidos. Logo, esse exame é um teste sanguíneo solicitado quando o paciente tem suspeita de uma doença autoimune.

Porém, ele não é aplicado de forma isolada, como ferramenta de diagnóstico de uma determinada doença. O reumatologista considera o quadro clínico do paciente e o padrão dos resultados para fechar o diagnóstico.

Descubra quais doenças o exame FAN detecta

Antes de elencarmos isso, é interessante conceituarmos a sensibilidade do teste. Trata-se da capacidade em apresentar o resultado positivo quando o paciente tem a respectiva doença.

Sendo assim, para saber quais doenças o exame FAN detecta, veja como é o nível de sensibilidade em casa caso.

Artrite reumatoide

Trata-se de patologia inflamatória crônica que afeta as articulações. Seus sintomas mais comuns se caracterizam por inchaço, dores e vermelhidão.

A sensibilidade do exame é de 52%.

Lúpus

Doença inflamatória que pode afetar a pele, o cérebro, rins, as células sanguíneas, os pulmões, o coração e as próprias articulações.

A sensibilidade do exame varia de 95% a 100%. Para o lúpus discoide, a sensibilidade é de 15%.

Hepatite autoimune

Doença na qual os anticorpos têm inflamação do fígado. Os principais sintomas são dores articulares, fadiga e desconforto abdominal.

Esclerodermia ou esclerose sistêmica

Doença autoimune que provoca aumento excessivo da produção de colágeno e, consequentemente, o endurecimento das articulações e pele.

A sensibilidade do exame é entre 60% e 80%.

Artrite idiopática juvenil

Condição que inflama as articulações e atinge majoritariamente crianças.

Síndrome de Sjögren

Doença que provoca a inflamação das glândulas do corpo. Seus principais sintomas são o ressecamento da boca e olhos.

Dermatomiosite

Doença autoimune inflamatória que se caracteriza por lesões na pele e fraqueza muscular.

Esclerose múltipla

Doença autoimune que possui, como principais características, lesões nos nervos e problemas na comunicação entre corpo e cérebro. Seus principais sintomas são a perda de visão, dor, problemas motores, entre outros.

Vitiligo

Doença autoimune nas qual as células da pele morrem e, então, surgem manchas devido ao processo de despigmentação.

Psoríase

Doença que afeta as células da pele que, então, se acumulam e formam manchas secas com escamas.

Agora você já conseguiu entender quais doenças o exame FAN detecta, não é mesmo? Então saiba melhor como ele é realizado e interpretado.

Como o exame FAN é feito?

FAN é um exame de sangue feito em laboratório com base na identificação dos padrões de fluorescência. A coleta é feita da mesma forma que os testes convencionais, com a diferença de que não é necessário estar em jejum. A amostra é submetida a um corante fluorescente que marca os anticorpos presentes.

O sangue, então, é misturado em um recipiente com células humanas, chamadas de HEp-2.

Caso nenhuma parte da célula esteja fluorescente, então não há presença de anticorpos reagentes.

Do contrário, pode haver anticorpos, sugerindo uma doença autoimune. No entanto, o profissional precisa considerar outros fatores para fechar o diagnóstico do paciente.

Como interpretar os resultados do exame FAN?

Além de saber quais doenças o exame FAN detecta, é primordial aprender como interpretar os resultados obtidos.

Via de regra, uma pessoa saudável apresenta resultado negativo ou não reagente, com valores como 1/40, 1/80 ou 1/160. O que não significa, porém, que o paciente esteja livre de uma doença autoimune, logo, o indicado é pedir exames complementares caso haja sintomas associados.

Por outro lado, resultados positivos ou reagentes apresentam valores como 1/320, 1/640 ou 1/1280.

A fluorescência também é observada pelo microscópio, o que ainda indica um certo padrão da doença:

  • Citoplasmático pontilhado fino: polimiosite ou dermatomiosite;
  • Membrana nuclear contínua: hepatite autoimune ou lúpus;
  • Nucleolar pontilhado: esclerose sistêmica;
  • Nuclear pontilhado fino: indica síndrome de Sjögren ou lúpus;
  • Nuclear pontilhado grosso: lúpus, artrite reumatoide ou esclerose sistêmica;
  • Nuclear pontilhado centromérico: indica esclerodermia.

Porém, mesmo esta interpretação precisa ser criteriosa, uma vez que um resultado só pode apontar tipos diferentes de doenças. Ou mesmo nenhum quadro patológico.

Então basta saber quais doenças o exame FAN detecta e ver sua interpretação? Não necessariamente, pois o resultado positivo não indica com exatidão que o paciente possui uma patologia autoimune.

Isso porque entre 10% e 15% da população pode ter FAN em valores baixos, ainda que não possua nenhuma comorbidade. Nestes casos, é mais comum encontrar o padrão nuclear pontilhado fino denso.

Padrões como nuclear homogêneo ou pontilhado grosso geram sinal de alerta para doença autoimune por serem específicos de problemas reumatológicos.

A indicação é solicitar também exames imunológicos detalhados e, ainda, laboratoriais, como PCR, VHS, hemograma, urina, ureia, creatinina e proteína/creatinina para uma avaliação mais completa.

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