Procedimentos

O que é supra cardíaca? Entenda definições e procedimentos clínicos indispensáveis

O que é supra cardíaca

O infarto é uma das principais causas de mortalidade no Brasil. Nesse sentido, é de suma importância que os profissionais de saúde saibam identificar o que é supra cardíaca, uma vez que se enquadra na mais crítica das Síndromes Coronarianas Agudas (SCA).

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, são registradas mais de 1.100 mortes diárias por doenças cardiovasculares. Nesse número estão as SCA, consequência do bloqueio repentino de uma artéria coronariana.

A classificação das SCA compreende angina instável e dois tipos de infarto, entre eles, o com supra. Em razão da gravidade do quadro, é indispensável identificar a condição em tempo hábil e saber como manejar o paciente.

Entenda melhor o que é supra cardíaca

A supra cardíaca, ou o infarto agudo do miocárdio com supra de ST, é gerada quando há a total obstrução de uma das artérias coronarianas. Tal oclusão se dá por placa aterosclerótica e interrompe o fluxo de nutrição do músculo cardíaco.

O quadro resulta na necrose isquêmica, pois como o fluxo sanguíneo é interrompido, caem os níveis de oxigênio. A partir daí, inicia o processo de metabolismo anaeróbico com redução do pH e liberação de lactato.

Entretanto, essas condições são insuficientes para suprir as demandas do miocárdio. Consequentemente, há o acúmulo de sódio intracelular devido à interrupção no funcionamento da chamada bomba Na-K.

O acúmulo de sódio, então, provoca o edema celular e, também, o acúmulo extracelular de potássio. São condições que alteram o potencial elétrico transmembrana e, obviamente, o próprio ritmo cardíaco.

Outra importante consequência deste processo é a alteração do cálcio intracelular, sobretudo pela ativação das lipases e proteases pelo acúmulo no citoplasma. Mediante este cenário, ocorre a destruição celular.

Como uma reação em cadeia, o dano tecidual é propagado pela liberação dessas enzimas até atingir a circulação. Inclusive, essa é a razão pela qual o infarto com supra de ST pode ser identificado por exames de sangue.

Em síntese, a necrose miocárdica é desencadeada no subendocárdio e continua para o epicárdio. Os fatores envolvidos no processo são:

  • Circulação colateral;
  • Reperfusão miocárdica;
  • Consumo miocárdico de oxigênio.

Ademais, o tempo é fator determinante no atendimento ao paciente acometido por um infarto com supra de ST. Tenha sempre isso em mente!

Veja dicas de como fazer um ECG

O que é um paciente suprado?

Você viu acima as explicações sobre o que é supra cardíaca, agora é necessário entender bem os sinais que indicam um paciente com suspeita deste tipo de infarto. Alguns sintomas são:

  • Dor torácica anginosa (dor em aperto);
  • Irradiação da dor para o braço esquerdo, mandíbula e ombro;
  • Dor que melhora com o repouso.

Importante frisar que o exame físico, em si, dá poucas informações sobre o caso. Além disso, pode haver quadros concomitantes, por exemplo, presença de B4, hipertensão, bradicardia ou taquicardia. Por outro lado, são diferenciais:

  • Dissecção de aorta;
  • Angina instável;
  • ICC descompensada;
  • Embolia pulmonar;
  • Pericardite.

Logo, aos primeiros sinais, é importante proceder com diagnóstico imediato a fim de mitigar os efeitos da oclusão.

Como identificar o infarto com supra?

O diagnóstico inicial do infarto com supra baseia-se no histórico clínico do paciente, envolvendo fatores de risco e características da dor. Além disso, considera-se marcadores de necrose miocárdica e o ECG.

Eletrocardiograma

O ideal é que o exame seja realizado em menos de dez minutos após a entrada do paciente. Como os níveis podem ser estáveis no início, o ideal é repetir o ECG a cada cinco ou dez minutos.

Os critérios de análise do eletrocardiograma são:

  • Supradesnível de ST maior ou igual a 1 milímetro, considerado duas derivações contíguas no plano frontal;
  • Ou ainda maior ou igual a dois milímetros em duas derivações contíguas no precórdio;
  • Ou, por fim, o bloqueio completo do ramo esquerdo.

Entretanto, o profissional deve ter ciência de que a supra de ST também é quadro de outras patologias, por exemplo, cardiopatia chagásica, aneurisma ventricular e angina de Prinzmetal.

Se tiver dúvidas sobre a realização do ECG, reunimos aqui algumas explicações sobre a posição dos eletrodos.

Marcadores de necrose miocárdica 

São marcadores de necrose miocárdica o CK-MB, troponinas T e I, além da mioglobina. A dosagem, a partir da admissão do paciente, deve ser feita depois de seis horas. Em seguida, nova dosagem com 12 horas de admissão.

Depois de um evento isquêmico, observa-se simultaneidade na detecção de troponina e CK-MB, ainda que a queda desta seja mais rápida. Por outro lado, a primeira permanece elevada por dez dias, em casos mais graves de lesão. A mioglobina, no entanto, tem baixa especificidade apesar de ser mais precoce.

Como tratar a supra cardíaca?

Diante da gravidade, entender o que é supra cardíaca e os procedimentos para sua detecção é extremamente importante para definir a urgência no atendimento que será realizado. O problema deve ser tratado em tempo hábil para que a extensão do dano não seja agravada.

O passo a passo a ser seguido considera as etapas abaixo:

  • Anamnese, MOV e exame físico;
  • ECG de 12 derivações, direcionando as V3R, V4R, V7 e V8 quando houver suspeita de impacto na parede inferior;
  • Exames laboratoriais, a saber: função hepática e renal, hemograma, eletrólitos, CK-MB massa e troponina;
  • Raio-X de tórax, principalmente para dissecção da aorta para diagnósticos diferenciais.

A conduta terapêutica para o IAMCSST envolve, ainda, o chamado mnemônico MONABICH. Ele consiste na administração dos níveis corretos de: 

  • Morfina: IV, com doses de dois a quatro miligramas a cada cinco a dez minutos, com valor máximo de dez miligramas;
  • Oxigênio: a 100% em máscara ou cateter nasal, com níveis de dois a quatro litros por minuto;
  • Nitrato: ISORDIL sublingual de cinco miligramas, com frequência a cada cinco minutos e até três repetições. Mas, atenção, o medicamento é contraindicado em casos de bradicardia, hipotensão, infarto de ventrículo direito e inibidores da fosfodiesterase;
  • AAS: 160-325 mg na dose de ataque e 100 mg/dia, diários, sem interrupções. O medicamento não pode ser administrado para hepatopatas graves ou pessoas com úlcera péptica;
  • Betabloqueador: 50 mg de metoprolol, de seis em seis horas, no primeiro dia, aumentando para 12 e 12 horas;
  • IECA;
  • Clopidogrel: diferença de dosagem para menores e maiores de 75 anos. No primeiro caso, 300mg na dose de ataque e, depois, 75 mg por dia. Maiores de 75 anos não recebem dose de ataque, sob o risco de hemorragia intracraniana;
  • Heparina: 30 mg de enoxaparina para menores de 75 anos, EV em bolus seguido de 1mg/kg via subcutânea a cada 12 horas.

Ainda no tratamento, é feita a intervenção coronariana percutânea (ICP) para restabelecimento do fluxo arterial. Trata-se de um procedimento avaliado no atendimento, mas no tempo máximo de 60 minutos a entrada do paciente para atingir as taxas de sucesso.

Outro procedimento é a terapia fibrinolítica, quando houver demora maior de uma hora para começar a ICP primária.

Acima explicamos o que é supra cardíaca, assim como já fizemos com o método de Capurro e com o Revalida. Este foi mais um conteúdo especial produzido pela equipe do Centro de Desenvolvimento em Medicina (CDM).

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