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Diferenças entre refluxo fisiológico e patológico

Diferença entre refluxo fisiológico e patológico

O sistema digestivo humano é uma das partes mais complexas do corpo. Com o recebimento de diferentes substâncias, nutrientes, enzimas, ácidos, líquidos e mesmo químicos como remédios, fica difícil não surgir nenhum problema gástrico durante a vida.

O refluxo é um desses problemas. Ele se refere a uma condição momentânea, onde o suco gástrico de um indivíduo acaba por subir do estômago em direção à garganta.

As paredes do estômago são resistentes ao ácido dos fluidos do nosso organismo, mas o restante do trato é mais sensível, o que causa queimação e muito incômodo ao paciente.

Embora o problema seja – muitas vezes – inofensivo, há situações onde ele acaba se tornando frequente e persiste por longos períodos, deixando de ser apenas um mal-estar e passando a atrapalhar o dia. A partir daí, podem surgir doenças mais graves com o tempo.

Esta patologia costuma ser estudada e diagnosticada pelo médico gastroenterologista, profissional que lida com questões que envolvem todo o sistema digestivo. Se você pretende fazer uma residência médica nesta área, aprofunde seus conhecimentos neste nosso artigo em que explicaremos as diferenças entre refluxo fisiológico e patológico.

Este é um conteúdo especial criado pela redação do Centro de Desenvolvimento em Medicina (CDM), uma nova marca de cursos e treinamentos para médicos. Seja bem-vindo ao nosso blog e boa leitura!

Veja também: Doenças relacionadas ao sistema cardiovascular

Principais diferenças entre refluxo fisiológico e patológico

Para entender cada um deles, nada melhor do que saber como eles funcionam e quais são suas principais características. Confira!

Refluxo fisiológico

O refluxo fisiológico é aquele considerado normal, muito comum em crianças e bebês. Ele ocorre de forma mais espontânea após a alimentação. Em adultos, pode ser desencadeado por diferentes motivos, como a ingestão de álcool.

Embora menos comum, situações de muito estresse (como uma crise de ansiedade) e movimentos bruscos (como os de uma montanha-russa) também podem causar refluxo fisiológico. Os sintomas menos comuns são queimação na garganta e irritações abdominais.

Se desencadeado por motivos identificáveis, o refluxo fisiológico não é motivo para maiores preocupações. Apesar disso, é sempre importante ficar atento para sintomas secundários, os quais podem ser indicativos de diferentes (e algumas vezes graves) patologias.

Refluxo patológico

Acometendo pessoas já na vida adulta, esse problema requer uma atenção especial. Também chamado de refluxo gastroesofágico ou DRGE, ele se refere a alguma alteração no esfíncter responsável por manter o fluido dentro do esôfago.

A região gástrica apresenta várias estruturas que contribuem para a barreira antirrefluxo: o esfíncter esofágico inferior (EEI), o ângulo de His, o ligamento frenoesofágico, o diafragma crural e a roseta gástrica. O problema mais comum se dá no EEI.

A fragilidade da musculatura ou mesmo uma hérnia de hiato são as causas mais frequentes de refluxo patológico. Devido à  constância que o ácido estomacal é vertido, isso pode causar úlceras nas pregas vocais. Não apenas a região glótica, mas também a supraglótica é acometida.

Como diagnosticar diferentes tipos de refluxo?

Para um bom diagnóstico, o profissional da área médica precisa saber bem todas as diferenças entre refluxo fisiológico e patológico. Superada esta etapa, ele poderá avaliar o paciente com mais facilidade.

No caso do refluxo fisiológico, não há necessidade de um diagnóstico profundo, pois se identifica observando os sintomas nos pacientes. Já no patológico, pode haver a necessidade de uma endoscopia para averiguar o estado da mucosa e a presença ou não de uma hérnia.

Uma reclamação bastante vista nos profissionais da voz, como dubladores e palestrantes, é que a fonação acaba tendo a presença de muito pigarro em decorrência do fluido. Já em cantores, a queimação na garganta se dá no início, durante ou após o canto.

Qualquer pressão abdominal pode evidenciar os sintomas, como no caso da respiração intercostal diafragmática, que usa apoio subglótico para a projeção da voz. Essa pressão faz o ácido subir, irritando os músculos vocais cricotireóideo (C.T) e tireoaritenóide (T.A).

Quais são os tratamentos disponíveis para refluxo?

O diagnóstico de refluxo nem sempre é o suficiente para tratá-lo, pois as causas são muito variadas e existe a necessidade de avaliar cada caso separadamente. Solucionar o problema não é garantia de que se irá solucionar uma patologia.

O refluxo fisiológico desaparece com o tempo e alguns tratamentos, dependendo da causa, podem ser feitos a partir de medicamentos. Geralmente se evita o problema com a mudança da alimentação, postura ao dormir e antiácidos.

No caso do refluxo patológico, pode ser necessário um tratamento com medicação simples e mudança em hábitos como alcoolismo e sedentarismo. Já na questão da hérnia, a situação pode requerer intervenções cirúrgicas e outros procedimentos clínicos.

Ou seja, é crucial compreender as diferenças entre refluxo fisiológico e patológico, pois é necessário não apenas conhecer a patologia e suas causas, mas também suas consequências, como a esofagite e todos os problemas laríngeos e fonoaudiológicos que um simples líquido estomacal pode causar.

Cuidar da saúde do paciente não se trata apenas de averiguar os sintomas, é necessário recomendar a mudança de hábitos alimentares, estilo de vida, vícios e até mesmo com o que ele trabalha. Tudo isso faz diferença na hora de tratar o problema.

Qual procedimento cirúrgico pode ser indicado para o refluxo?

A cirurgia antirrefluxo é chamada de fundoplicatura gástrica. A técnica de Nissen é a mais usada no mundo todo, mas a via videolaparoscópica também é bem recebida dentro da comunidade médica.

Situações de refluxo são da alçada de qual especialidade?

Para sintomas de refluxo deve ser consultado um profissional de gastroenterologia. De acordo com a existência (ou não) de problemas secundários, outros profissionais podem ser indicados.

Quais exames devem ser realizados?

Em casos mais graves, o monitoramento do pH do esôfago é complementar para o exame de endoscopia.

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Após conhecer as diferenças entre refluxo fisiológico e patológico, aproveite e veja:

O que é o método Capurro?

Principais funções do Conselho Regional de Medicina

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